Linguagem padronizada, 
para que gírias ou termos regionais, 
não prejudiquem o entendimento;

“Olá, me chamo Camila. Na época, tinha vinte e oito anos; mesma idade que Fabiano, meu esposo. Somos formados em veterinária e possuímos um pet shop aqui em Teresópolis, Rio de Janeiro. Começamos a namorar na faculdade, há quase uma década. Nosso casamento foi motivado pelo mesmo sentimento que nos mantém juntos até hoje. 

Temos um único filho (humano) chamado Max. Já os de quatro patas, atualmente, são uma cadelinha (Shitzu) chamada Vick, um gatinho (Persa) chamado Tél, além de um hamster (Sírio) que, só quando quer, atende pelo nome de Beto. Tanto meus familiares quanto os de Fabiano, moram em cidades vizinhas: Petrópolis e Nova Friburgo.

Temos uma espaçosa casa própria, automóvel novo e uma condição financeira bem confortável, o que me permite ficar mais em casa cuidando do Max, enquanto meu esposo encara os desafios do dia a dia em nosso estabelecimento.

O que dá para mencionar sobre casamento? Ah, temos uma relação um pouco diferente da maioria dos casais que conhecemos e, ainda assim, acho que somos mais felizes que a maioria deles. É claro que no início, quando éramos dois adolescentes, nosso namoro tinha tudo que um namoro tradicional costuma ter, com todas as crises de imaturidade, os acessos de ciúme e as típicas pitadas diárias de vergonha alheia.

Assim que iniciamos nosso relacionamento, por exemplo, discussões bobas eram algo frequente. Era, simplesmente, a época do auge de nossa insegurança. Lembro que costumava implicar bastante com o fato de termos personalidades tão opostas; pois ele sempre fora mais tímido e calado, com uma dificuldade absurda de conquistar novas amizades e, bem por isso, uma disposição infindável quando a tarefa era paparicar antigos amigos. Resumidamente, acho que minha antipatia quase sempre se baseava naquelas relações tão mimadas e grudentas, sobretudo com as amigas.

Já ele, implicava (como se eu pudesse fazer alguma coisa), principalmente, com nossa diferença de altura, de modo que parecia concentrar sua insegurança exclusivamente em torno disso. Tenho um metro e setenta e oito… contra um e sessenta e sete de Fabiano. A impressão era de que todo cara com estatura igual ou maior que a minha, de algum modo, aos olhos dele, automaticamente, exercia um risco potencial.

Mas isso aos poucos foi mudando, tanto que, por um momento, até cheguei a estranhar. Sabe quando a pessoa que a gente ama, de um dia para outro, começa a parecer não se importar mais? Não tive como não imaginar que, por parte dele (porque eu sabia que continuava apaixonada) o sentimento talvez pudesse ter chegado ao fim… 

Tinha me enganado; pouco a pouco me convenci disso. A realidade é que Fabiano apenas foi se conhecendo e me conhecendo melhor, ao mesmo tempo em que ganhava algo que, de modo geral, podemos chamar de confiança.

Ficamos noivos por volta de nossos vinte e dois anos. Já estávamos formados, tocando nosso tão sonhado pet shop e planejando a compra de uma casa para passarmos a morar juntos. Entretanto, este sonho só se realizaria de fato após algo bem chato vir a acontecer: o pai de Fabiano, que era divorciado de sua mãe, infelizmente faleceu. Graças a parte que coube a ele na divisão dos bens, adquirimos um terreno enorme onde construímos nosso lar. Foi uma grana tão boa que, além de toda a mobília da casa recém-construída e de um carro praticamente zero, ainda se mostrou suficiente até mesmo para bancar a aquisição do imóvel onde, há vários meses, funcionava nosso estabelecimento. Com a escritura definitiva em mãos, coube-nos apenas a tarefa de reformar o prédio, promovendo todas as mudanças estruturais e decorativas que enxergamos necessárias. 

Já morávamos juntos e praticamente não brigávamos mais. Nem de longe parecíamos aqueles adolescentes instáveis que ficavam dias sem se falar, por ciúmes relacionados a amizades melosas ou desigualdade de estatura. O pet shop ia de vento em polpa e ninguém além de nós sabia gastar melhor o dinheiro que estávamos ganhando. Trocávamos presentes sem datas específicas, saíamos quase todas as noites e viajámos sempre que dava na telha, pois tínhamos funcionários preparados para suprir nossa ausência.

Foi quando começamos a abrir em nossas vidas, algo como portas… por onde avançávamos cada vez mais fascinados, com passos bem curtinhos, mas que iam nos distanciando do que éramos antes de cruzarmos cada uma daquelas barreiras morais.

Nessa altura, nossa casa já estava pronta, já estávamos casados há mais de dois anos e tudo ia bem. Como bons cariocas, praia era nosso hobby; por isso, sempre que possível, pegávamos a estrada, a caminho de Macaé ou Saquarema (cidades praianas, próximas à nossa).

Lembra das tais portas, não? A primeira nos levou a um mundo (quase) sem ciúmes, onde os biquinis iam ficando cada vez menores. Fabiano ia às lojas comigo, pois gostava de me ver provar cada peça. Chegava a dar opiniões e tudo mais. Em tese, escolhia uns para dizer que ficaram legais no meu corpo, enquanto preferia dizer que alguns outros mais pareciam trajes de “tia velha”. No começo, eu sempre alertava que, inevitavelmente, haveria quem olhasse… e, talvez, até olhasse descaradamente. Alertava que, depois, não adiantaria brigar, discutir ou ficar emburrado… Mas ele, na prática, sempre provou o contrário. 

Em Teresópolis, nossa cidade, continuávamos a bancar o casal padrão, que fazia coisas comuns e vivia uma vida normal. Já quando viajámos para litorais em que não nos conheciam, eu praticamente me transformava num objeto de desejo, nas praias e nas piscinas dos hotéis em que nos instalávamos, com meus biquinis provocantes, atraindo dezenas de olhares tarados de gente de ambos os sexos, casada ou solteira, jovem ou velha.

A segunda porta não demorou a ser aberta e, sem sombra de dúvida, acabou se mostrando até mais abrangente do que a primeira, muito porque dava acesso a praticamente todos os lugares que frequentávamos no nosso cotidiano. Ela estava ligada a um “descuido” nem um pouco acidental, mas que nos excitava demais. 

Nessa fase, usava roupas com certa transparência, que em alguns ambientes e, às vezes, por causa da claridade excessiva ou de algumas posições corporais que eventualmente tinha que fazer, acabavam entregando meus trajes mais íntimos ou, até mesmo, partes do corpo que deveriam estar completamente cobertas. 

Íamos a barzinhos, cinemas, shows… sempre cometendo aquele “descuido proposital”, que atraía olhares e excitava tanto os que conseguiam perceber, quanto a nós mesmos. Na grande maioria das vezes, quando voltávamos para casa, transávamos loucamente, citando situações relacionadas a cada um dos homens que me haviam comido com os olhos.

Outra porta importante, fomos abrir apenas após o nascimento de nosso filho, quando fui recuperando a forma e voltando a ter confiança em relação ao meu próprio corpo. Havia chegado a fase das saias e vestidos sempre curtos, com direito às mesmas distrações da porta anterior, pois, vez ou outra, deixava minha calcinha exposta quando frentistas se aproximavam de nosso carro em postos de combustíveis, quando atendentes arregalavam os olhos em estabelecimentos diversos ou, por exemplo, quando simplesmente me sentava para aguardar a vez de ver meu filho atendido em uma consulta pediátrica. Eu normalmente fazia o papel de sonsa, enquanto Fabiano estava sempre atento a tudo, para depois, de pau duro, me narrar algumas situações que só ele havia conseguido captar.

Mas posso dizer que nossas vidas mudaram de verdade, apenas quando criamos coragem de abrir uma das portas mais importantes, justamente enquanto conhecíamos um local que já planejávamos visitar há tempos: a famosa “Princesinha do Mar”. 

Max estava com quatro para cinco meses, dois deles já se alimentando através da mamadeira, devido a alguns problemas hormonais que me acometeram desde o pós-parto. Como eu estava liberada para ingerir bebidas alcoólicas, julgamos que já era hora de voltar a saborear os prazeres que o turismo sempre foi capaz de nos oferecer. Não podíamos ir tão longe, nem ficar tanto tempo fora, por isso escolhemos passar apenas três dias em Copacabana. 

A quinta e sexta-feira foram dedicadas, praticamente, à praia e ao clube do hotel, restando ao sábado a maratona de juntar: praia, um evento no hotel e um jantar num conhecido restaurante de comida italiana, que já há algum tempo Fabiano queria conhecer. Conforme planejado, acordamos às dez e fomos para a praia… mas tudo estava tão perfeito (tanto comidas, quanto bebidas e também uns carinhas que ficaram horas me olhando, embaixo de um gazebo que montaram bem perto da gente) que perdemos hora e só retornamos por volta das cinco da tarde, quando o show de stand-up no auditório do hotel já estava prestes a acabar.

Além de levemente bêbados, estávamos bem cansados. Dei banho em meu filho e em seguida tomei um banho junto com meu marido (e é claro que recapitulamos cada atitude ousada dos rapazes que ficaram um tempão esfregando os olhos no meu corpo, principalmente na minha bunda, enquanto tomava sol), depois dormimos por quase duas horas. 

Fabiano acordou primeiro, vinte minutos antes de mim. Eram sete e meia da noite e fazia muito calor, mas muito mesmo, algo anormal até mesmo para os padrões do Rio. Coloquei um vestidinho curto e estava sentada em frente ao espelho me maquiando, quando um desafio causou a abertura da importante porta que havia citado:

– Duvido que tenha coragem de sair sem calcinha?

– Este vestido é bem curto… – murmurei, franzindo a testa.

– Não tem importância, ninguém conhece a gente, tamo longe de casa!

Fiz cara de reprovação, pensei em não topar, mas acabou que saí sem. 

Chegamos ao restaurante e fomos encaminhados para uma mesa próxima à parede. Posicionei o carrinho em que Max estava deitado e me sentei ao lado do meu esposo, que naquele dia estava bem mais assanhadinho do que de costume. 

Normalmente, fosse usando roupas transparentes ou biquínis curtos, já nem chegava a sentir vergonha, mesmo quando percebia mais de um par de olhos atrevidos. Entretanto, a calcinha era como uma capa protetora, como um escudo… sem ela me sentia indefesa, desprotegida, extremamente excitada, porém, completamente vulnerável.

Fabiano recuou um pouco minha cadeira, permitindo que a mesa ocultasse apenas meus joelhos. Depois, ainda por cima, passou a mover sutilmente uma de minhas coxas, só para distanciá-las. Sem contar que ainda ousava puxar um pouco mais o meu vestido, que já era escandalosamente curto. 

As pessoas das outras mesas eram incapazes de ver qualquer coisa, mas a expressão no rosto do garçom, meio que provou para a gente que ele devia ter visto tudo, tudo, tudinho… Quando chegou, após deslizar o olhar por minhas pernas, deu uma hesitada antes de se apresentar, como se estivesse incrédulo com o presente que ganhara. Chamava-se Marlon e, como bom carioca, por sorte, pareceu ter conseguido tirar aquela situação de letra. Sorriu, brincou com o fato de nosso filho estar meio sonolento, ao passo que nos ouviu justificar que o cansaço vinha das horas que passamos na praia. Depois, ainda cantarolou parte do hino do Fluminense, por ter visto o escudo do time no chaveiro do carro, sobre a toalha.

Fabiano provocou:

– Pra ser um bom garçom vocês precisam decorar os hinos de todos os times?

– Não sei nem o de todos os grandes aqui do Rio… Acontece que sou tricolor também! 

Os dois riram movidos à tal da irmandade futebolística. Eu, como sempre fui vascaína por causa do meu pai, fiquei só assistindo aquela mútua empolgação. Fabiano disse algo sobre nosso filho ter a obrigação de também torcer para o time deles, Marlon fez um comentário em concordância e, apenas depois de mais conversa fiada e risos trocados, o papo foi se encaminhando para a sugestão das bebidas:

– Mesmo com esse calorão, vinho do Porto é sempre uma boa pedida. Acompanha qualquer entradinha ou prato principal. Já sua esposa tem jeito de que ama uma caipvodka…

– Tem algo com tequila? – indaguei.

– Temos um drink chamado “El Diablo”, é muito bom! Melancia, gengibre, tequila e limão! O que acha?

– Pode ser!

Marlon se apressou em anotar o pedido.

Fabiano não era muito do vinho:

– E eu… acho que vou preferir uma dose de uísque!

– Boa! – bradou o garçom. – E a entradinha, escolhida?

Depois de alguma indecisão, optamos pela burrata com rúcula e, como prato principal, camarão com espaguete. Marlon pediu licença antes de se afastar para entregar a anotação a outro funcionário, enquanto Fabiano me encarou com faíscas saltando dos olhos.

– Arrependida? – perguntou.

A melhor defesa é o ataque…

– Por que, você ficou?

– Não, claro que não… – murmurou ele, depois permitiu que um sorrisinho safado dominasse apenas um canto de sua boca. – Olha como tá isso aqui.

Puxou minha mão e colocou sobre seu pau; duro igual uma pedra.

– Não ficou com vergonha? – perguntei.

Ele fez uma careta esquisita. 

– Talvez um pouco no começo, depois já era. Cada vez que via ele olhando… meu pau ficava mais duro.

– Acho que somos loucos. – sussurrei e sorri.

– E você?

– Por incrível que pareça, acho que só me senti um pouco nervosa, mas passou…

Fabiano aproximou os lábios:

– Ficou excitada?

– Não vai ficar bravo? – perguntei receosa.

Ele abanou a cabeça.

– Claro que não!

Admiti:

– Bastante…

– Quantos anos acha que ele tem?

– Uns vinte e três?

– Pode ser. Gostou dele?

– Essa não vou responder…

– Responde. – murmurou em tom de súplica.

Suspirei antes de falar:

– Gostei.

– Gostou bastante ou só um pouquinho?

– Bastante.

– Ele é mais alto que você, não?

– É sim, com certeza.

Meu marido primeiro olhou ao redor…

– Sabe que ele viu tudo, né?

– Será?

– Com certeza! Do jeito que puxei o vestido, daqui do seu lado consegui ver seus pelinhos, imagine ele, em pé, podendo olhar de cima, bem na sua frente? 

– Nossa, agora sim tô com vergonha. – disse e escondi o rosto nas mãos.

Fabiano me abraçou.

– Só ele viu, fica tranquila… Amanhã a gente vai embora e ele vai continuar aqui. Vamos viver nossa vida e ele a dele… Talvez todos se lembrando com saudade de tudo que rolou nessa noite. – murmurou e riu baixinho.

– Ele deve tá pensando que sou uma piranha. – supus.

Recebi um carinhoso beijo no rosto.

– Nada, você é toda meiguinha. Certeza que…

A interrupção só aconteceu porque Marlon veio retornando com as bebidas. Inconscientemente, talvez por reflexo devido ao que meu marido havia acabado de falar, tratei de fechar mais minhas pernas e ajeitar o vestido, tentando me “cobrir”.

– O uísque… e o drink! – exclamou o garçom, aproximando cada copo de seu respectivo dono. Enquanto outro funcionário vinha trazer nossa entradinha (este grisalho, aparentando seus cinquenta, cinquenta e cinco anos), Marlon nos avisava. – O prato já está sendo finalizado. Para deixá-los à vontade, vou ficar ali próximo ao bar. Se precisarem de algo, é só acenar, estarei de olho. Bom apetite!

Agradecemos.

O tal do “El Diablo” estava delicioso. Até Fabiano experimentou e disse que gostou, porém, depois, para tirar o gosto doce da boca, bebeu quase todo o uísque numa única golada.

Percebendo que alguns garçons permaneciam próximos às mesas em que haviam prestado atendimento, mesmo após finalizarem o pedido, meu esposo disse que talvez Marlon pudesse estar ressabiado por tê-lo pego me observando… Então, antes que eu dissesse qualquer coisa, moveu a mão num gesto, fazendo com que o garçom tornasse a se aproximar com seu bloquinho de anotações.

– Opa…

– Marlon, me traz outro uísque?

– Claro!

Mal terminou de falar, já correu até o bar.

Fabiano, por sua vez, aproveitou para tornar a puxar minha coxa, depois moveu também meu vestido. Fiz uma cara feia e, em troca, recebi um sorriso aberto, entusiasmado como nunca havia visto em toda minha vida.

O garçom retornou e substituiu o copo vazio pelo cheio. 

Meu marido tratou de puxar conversa, forçando-o a, dessa vez, não nos abandonar:

– Tem quantos anos, Marlon?

– Vinte e cinco. E vocês?

Fabiano ficou calado, numa clara estratégia de me inserir na conversa.

– Temos a mesma idade: vinte e oito! – exclamei.

– Não são de Copacabana, são?

– Não, somos de Teresópolis. – tornei a responder.

– Nossa, nunca fui pra lá. – disse Marlon, deu uma olhadinha quase sem querer bem no meio das minhas pernas, depois fez força para dispersar o olhar, antes de prosseguir. – Primeira vez por aqui?

Como meu esposo permaneceu com o copo colado à boca, tive que continuar falando:

– Sim. Já viajamos bastante, dentro e fora do Rio, mas em Copacabana é a primeira vez. Quase viemos em outras ocasiões, mas sempre acontecia algo e acabávamos desistindo. Ainda bem que agora deu certo. 

O garçom lançou o olhar ao redor.

– Se eu estiver incomodando, me avisem, hein?

– Claro que não incomoda! – rebateu Fabiano, de súbito. – Tá só conversando com a gente! 

Nisso, lá veio o grisalho trazer o prato principal. Abaixei a mão para proteger minha perna e só retirei depois que ele se foi. Fiquei com medo de que Marlon tivesse percebido que havia sido o escolhido para apreciar a casada sem calcinha, excitada, levemente bêbada e um pouco tensa.

– Outro “El Diablo”? – indagou. 

Aceitei, sorrindo de volta.

Tanto a entradinha quanto o espaguete estavam maravilhosos; a fama do local realmente não era injusta. 

Depois dos dois drinks, eu que já estava meio zonza com tudo o que havia bebido na praia, decidi que era hora de parar. Meu esposo bebia o terceiro uísque, feliz como nunca. Meu filho ainda dormia no carrinho.

– Tamo quase indo embora… Tem coragem de pedir pra ele ir com a gente até o carro? Fala que por não sermos daqui, seria legal se nos acompanhasse. Lá fora, peço pra te dar um beijo… – inocentemente arquitetou Fabiano, aproveitando que o garçom não estava por perto.

Claro que neguei:

– Mas não tenho coragem mesmo!

– Nossa última noite…

– Mesmo assim! – insisti.

Embora muito triste com minha negativa, não deixou de ajeitar novamente meu vestido antes de chamar Marlon para pedir a conta. O garçom trouxe a maquininha de recebimento e, enquanto o pagamento era feito, apesar de disfarçar, lançou o olhar bem no meio das minhas pernas, como se estivesse se despedindo dos meus pelinhos.

– Não quero recibo! – exclamou Fabiano, depois, enquanto nos levantávamos, abafou a voz para informar. – Pretendemos voltar na virada do ano… Tomara que ainda esteja trabalhando aqui. Fazemos questão que nos atenda.

Marlon, então, deu o que ele queria:

– Anote meu número, para o caso de precisarem de algo…

Que cena: meu esposo quase derrubou o telefone ao retirá-lo afoitamente do bolso, depois se atrapalhou com o desbloqueio da tela. Apesar dos pesares, no final, conseguiu salvar o contato.

Após nos despedirmos, fomos embora.

Quando chegamos ao carro, os ânimos oscilaram absurdamente. Parecíamos eufóricos com o que havíamos vivido, mas também desapontados com nós mesmos; principalmente por nossa maldita inibição. 

Guardamos o carrinho de bebê no porta-malas e, depois de colocar nosso filho na cadeirinha presa ao banco traseiro, entramos pensativos, com Fabiano ao volante, me encarando e sendo encarado de volta. Sem mais nem menos, nos abraçamos e nos beijamos. Disse que me amava e eu garanti que sentia a mesma coisa por ele.

– Queria ver vocês dois se beijando, pelo menos se abraçando… – lamentou.

– Também queria! – ousei admitir.

Deu a partida no carro e foi retornando ao hotel num silêncio melancólico, triste. Fazia as curvas bem devagar, quase parava o carro nas lombadas. Coloquei a mão sobre sua perna e lhe dei um beijo no ombro, depois trocamos um selinho.

– Fica triste não… – consolei. – Vai acontecer, uma hora ou outra vai acontecer. Quando der certo, vamos curtir pra caramba. Somos jovens ainda, não precisamos colocar pressão nas coisas.

Apesar do “sim” que fez com a cabeça, o pobrezinho ainda lamentava:

– É que eu gostei mesmo dele… 

– Eu também!

Passamos pela entrada do estacionamento do hotel e fomos encostando na vaga. Fabiano manobrou para entrar de ré, no entanto, mesmo puxando o freio de mão, por algum motivo não desligou o motor…

– E se eu mandar mensagem informando o hotel em que estamos? O máximo que pode acontecer, é ouvir que confundi as coisas e que devo deletar o telefone que nos passou…

Respirei fundo.

– E se ele vier aqui e eu não conseguir fazer nada na sua frente?

– Acha que não conseguiria ao menos beijar, abraçar, acariciar ele?

– Isso eu acho que sim; já transar: não sei.

– Qualquer coisa, vejo vocês se beijando e, caso decida transar: pego o Max e desço. Fico aqui no carro. Não tem problema, juro que não tem. Mas depois, precisa me contar tudo o que aconteceu, detalhe por detalhe.

– Não, nunca vou fazer isso…

– Não tem problema mesmo!

– Mas não faria! Transaria com outro cara pra realizar um desejo nosso, jamais pensando só em mim, por isso nunca te traí. 

– É que acho que se não for assim, capaz que nunca aconteça.

Respirei fundo novamente.

– Então manda mensagem pra ele e peça pra trazer uma amiga. Aí eu fico com ele e você fica com quem ele trouxer…

– Não quero! – respondeu, imediatamente. – Não tenho prazer nenhum em transar com outra mulher. Meu prazer é te ver com outro homem. Você nunca vai me ouvir pedir pra comer uma mulher na sua frente, nunca.

– Então manda mensagem pra ele, assim a gente já descobre se vem ou não! – exclamei.

Fabiano pegou o celular com a mão trêmula, porém, antes de acessar a agenda, me perguntou com a voz retraída:

– Se ele disser que não vem, vamos procurar alguém na internet? Por favor…

– A gente já falou sobre isso. Não tenho confiança. Com um garoto de programa… acho que jamais conseguiria. É um homem como qualquer outro, mas acho que, só de imaginar, acabei construindo uma barreira na minha cabeça. Não curto, não curto mesmo, não consigo lidar com isso.

– Tá bom, tá certo…

Abriu o aplicativo e, ainda com o dedo hesitante, enviou a Marlon um “boa noite”. Esperou quase um minuto e, como a resposta não veio, tornou a escrever. Digitou que seu nome era Fabiano e que havia acabado de deixar o restaurante junto com a esposa e com o filho pequeno. 

Cerca de vinte segundos depois, Marlon respondeu: disse que é claro que se lembrava da gente e perguntou se estava tudo bem. 

Fabiano disse que sim… Explicou novamente que era nossa última noite em Copacabana e, como não conhecíamos ninguém na cidade, surgiu a ideia de convidá-lo para tomar uma cerveja no hotel em que estávamos hospedados.

Marlon demorou dois minutos apenas para visualizar as mensagens desta vez, quase matando a gente do coração. Quando respondeu, aceitou prontamente o convite. Disse que chegaria em meia hora. Perguntou se queríamos ficar por ali mesmo ou se pretendíamos ir para outro lugar.

Fabiano escreveu que preferíamos ficar no hotel. Passou o número de nosso quarto e pediu que, caso encontrasse problemas em subir, que nos enviasse mensagem assim que chegasse na recepção. Em seguida, colocou o celular em uma abertura do console do carro e me encarou, feliz da vida.

– Amor, quer ir subindo com o Max? Se não estiver enganado, vi uma adega a duas ruas daqui. Vou comprar umas cervejas porque acho que só vi três no frigobar do hotel. Passo também numa farmácia e compro preservativos, apenas para o caso de a coisa partir para outro lado… Mas não se sinta pressionada. Fica tranquila.

Respirei fundo.

– Tá bom! Vou subir e tomar um banho… Qual roupa eu coloco?

– Põe outro vestido. Põe calcinha não… – sussurrou.

– Vou colocar um short curto, tá? Vou sentir vergonha de ficar sem calcinha de novo na frente dele…

– Sem problema! Shortinho sem calcinha, pode ser? Coloca aquele azul, aquele de tecido bem fininho, sabe?

– Sei, tá bom!

A cadeirinha presa ao banco do carro, quando removida, funcionava como um assento móvel, que podia ser carregado para lá e cá. Soltei o cinto e a retirei, fechando a porta para que Fabiano saísse acelerando.

Passei pela recepção, usei o elevador e ao chegar ao quarto, troquei meu filho e depois dei a mamadeira, ninando-o para que voltasse a pegar no sono. Deixei-o na cama, com travesseiros servindo de proteção, além das costas de um pequeno estofado que também tratei de encostar, para evitar que, de algum modo, pudesse rolar e cair. 

Tomei um banho rápido, morrendo de medo do interfone tocar. Enxuguei meu corpo com pressa e me vesti.

Quando Fabiano chegou, estava sentada na cama, toda tensa. Ele deixou dois packs de cerveja sobre o frigobar e depois me mostrou a embalagem com os preservativos, colocando-os em seguida na primeira gavetinha do criado-mudo. Retornou e, com mais calma, rompeu o plástico que recobria cada um dos fardos e colocou as long necks dentro do pequeno refrigerador. Quando terminou, a primeira coisa que fez foi comentar sobre o fato de eu estar usando um short rosa, um pouco menos escandaloso do que o azul que ele queria que eu vestisse.

– Não achou o outro?

– Tava sujo… – menti.

– Tá sem calcinha?

– Tô! – respondi e puxei as duas extremidades para comprovar.

Meu marido apanhou o controle do ar-condicionado e deixou o quarto ainda mais frio.

Falei que estava quase pirando e que precisaria beber. Porém, enquanto abria uma das cerveja, o telefone do quarto tocou e me deixou mais nervosa ainda. Marlon estava subindo e meu coração quase saindo pela boca, tanto que, por um segundo, pensei em pedir que meu esposo sequer o deixasse entrar, pensei em vestir calça jeans sobre o short, pensei em me trancar no banheiro…

Corri e apaguei a luz, só deixando acesas as lâmpadas fraquinhas dos abajures que ficavam sobre os criados-mudos.

Batidas na porta.

Fabiano abriu, já estendendo a mão para cumprimentar nosso visitante que, depois, enquanto vinha em minha direção, sorria com bem menos confiança do que quando nos servia no restaurante. Será que também estava tenso? Nervoso ou não, beijou meu rosto respeitosamente e brincou sobre o fato do meu filho estar novamente dormindo. 

Estava usando tênis, calça preta, camiseta cinza… e segurava uma garrafa.

– Tequila… – murmurou.

– Acertou em cheio, Camila adora tequila! Amou os drinks lá do restaurante. – exclamou Fabiano, depois retraiu a voz para entrar num assunto chato. – Só pra gente ficar mais tranquilos, pra podermos beber e trocar ideia numa boa, podemos deixar nossos telefones sobre algum móvel? Pode ser?

Marlon sorriu enquanto explicava que o dele, inclusive, estava sem bateria e, logicamente, não haveria problema em deixá-lo onde quer que fosse. 

Fui me sentar no estofado cujas costas estavam juntas aos pés da cama, reservando o assento ao lado ao meu marido. À frente do estofado havia uma poltrona, onde Marlon se sentou. Nossos telefones celulares acabaram na mesinha que ficava entre o sofá e a poltrona e, que, depois, Fabiano arrastou para perto de um dos criados-mudos.

Ao ser indagado se a lâmpada principal, apagada, o incomodaria, Marlon garantiu que não.

Enquanto o pessoal do hotel não trazia os copos pequenos, o sal e o limão, solicitados ao telefone, meu esposo serviu uma cerveja ao nosso visitante e abriu outra para si mesmo, sentando-se ao meu lado em seguida. Depois, para quebrar aquele silêncio, tomou a iniciativa:

– Estranhou o convite? Pensou em não aceitar?

Marlon respondeu com naturalidade.

– Em momento algum! Gostei de conversar com vocês!

– Recebe muitos convites como esse?

– Nunca recebi… Foi realmente a primeira vez. – disse e deu uma golada na cerveja.

– Não sei se vai acreditar, mas também é a primeira vez que convidamos alguém, não é mesmo, Amor?

– Sim… – concordei com voz tímida.

– Achamos você bem…

Ia falando Fabiano, mas Marlon o interrompeu:

– Eu acredito, falando sério. E, inclusive, adianto que, no momento em que quiserem que eu vá embora, é só me avisar. Não se sintam inibidos caso queiram ficar sozinhos.

– Fica tranquilo. – pediu meu esposo, só agora erguendo sua long neck e propondo um tardio brinde, esquecido pela empolgação inicial. – O convidamos, pois realmente gostaríamos que viesse. Legal que tenha aceitado.

Mais alguns minutos, quando os copos chegaram e começamos a também beber tequila, com direito a sal na borda e limão para quem preferisse, meu marido perguntou se nosso visitante namorava ou era casado. Marlon disse que o último namoro acabara há dois meses. Falou um pouco sobre o porquê do término, depois também contou detalhes sobre um outro relacionamento que quase terminou em casamento, vivido lá nos Estados Unidos, numa época em que morou em Miami por dois anos e meio.

Até tentando interagir um pouco, mencionei que já havíamos visitado Miami e Nova Iorque, no ano retrasado. Fabiano complementou, narrando nossas viagens para Buenos Aires, Montevidéu, Paris e Roma.

– Nossa, Roma é a cidade dos sonhos! Taí um lugar em que viveria pelo resto da vida! – confidenciou Marlon.

Vários minutos, muitas doses de tequila e de cerveja depois, acabei impressionada com a desenvoltura do meu esposo, tão reprimido no trato com pessoas, num modo geral, no dia a dia… mas aparentemente tão disposto e sociável naquele momento:

– Qual o tipo de mulher ideal, Marlon?

Juro que a pergunta avermelhou minhas bochechas; já os dois, pareciam bem mais confortáveis.

– Não existe um tipo ideal e, se existe, nunca parei pra pensar sobre… Não vou devolver a pergunta pra não provocar constrangimentos e, também, por saber que independente de qualquer coisa, vai ter que descrever as características da sua mulher. – respondeu e riu.

– Verdade… – concordou meu esposo.

– Dependendo do que falar, já vira divórcio! – brinquei.

Fabiano:

– E o que achou da minha esposa? Pode falar a verdade!

A pergunta pairou no ar por cerca de três segundos e meio.

– Ah, com todo respeito, mas… como perguntou, vou responder, hein? 

– É pra responder mesmo! – insistiu Fabiano.

Eu tentei me esconder atrás da long neck.

– Achei bonita, muito bonita. Alta, corpo bem legal. Sua esposa é uma mulher que chama a atenção, pode ter certeza. Com todo respeito, hein?

– Relaxa! – exclamou Fabiano.

Marlon chupou o limão, engoliu um gole de tequila, fez cara feia, depois viu a oportunidade para também perguntar:

– Vocês têm um relacionamento aberto? Só respondam se quiserem…

– Responde… – disse meu marido, cravando os olhos em mim, mas, como apenas balancei timidamente a cabeça, fiz retornar a ele o dever de lidar com aquela indagação. – Não temos, nunca tivemos na verdade. A gente se ama muito e confia bastante um no outro. Mas também troca muita ideia e tem curiosidades, entendeu?

– Sim, entendi sim.

Fabiano estava impossível:

– Já ficou com alguma mulher casada? 

Marlon riu.

– Acho que preciso de mais uma cerveja pra responder essa!

– Responda só se quiser! – complementei, enquanto me levantava para ir até o frigobar. 

– Respondo na boa, Camila. Sem problema nenhum… Só que o álcool ajuda um pouquinho, né?

– Verdade! – concordei.

Rimos juntos, os três.

Marlon:

– Já fiquei, mas sem o marido saber. Até eu, no começo, não sabia. Descobri depois, depois que já tinha acontecido.

– A gente gostou de você, gostou do seu jeito… difícil explicar. – iniciou Fabiano, respirando entre as palavras e falando um pouco mais devagar. – Já gostamos de outros caras nessas nossas viagens, mas sempre fomos encontrando coisas que pesavam contra. Com você foi diferente: gostamos fisicamente e, também, do seu jeito. Não curtimos aquele tipo mais atrevido, pretensioso, sabe? E você, apesar de ser muito bonito, é bem de boa, bem tranquilo, como a gente.

– Não sei se agradeço ou o que digo. – murmurou nosso visitante, rindo e nos fazendo rir.

– Não precisa dizer nada não… Só precisa ter paciência com a gente, pois, realmente, não temos nenhuma experiência com isso, apesar da vontade de experimentar. 

– Sabe que acabaram encontrando alguém inexperiente também, feliz ou infelizmente, não?

– Felizmente, felizmente! – repetiu meu esposo, depois, outra vez, prosseguiu como se estivesse acostumado a, todo santo dia, falar sobre aquelas coisas e fazer tais tipos de propostas. – Se quiser beijar a Camila, ela também quer… Não quer, Amor? – perguntou, voltando o olhar para mim.

Chacoalhei a cabeça num “sim” constrangido.

Fabiano se levantou do pequeno estofado, abrindo espaço para que Marlon se sentasse ao meu lado.

Trocamos sorrisos primeiro, depois um abraço apertado. No segundo seguinte, nossas bocas, já tão próximas, se tocaram de uma forma extremamente gostosa; deliciosa… para ser mais precisa. Sentir a língua dele na minha língua, com meu marido sentado na poltrona à frente, tão ou até mais excitado que eu, fez superar tudo o que imaginei quando, quase sempre na hora do sexo falado, fantasiava um milhão de situações. 

Uma de minhas mãos estava próxima do ombro de Marlon e a outra, imóvel, meio que na lateral do abdômen dele, quase perto de sua cintura. As dele: na lateral da minha cintura e a outra sobre a própria perna… Até Fabiano se levantar e, como um diretor de cinema, quase sem tirar os olhos de nosso beijo ininterrupto e cheio de tesão, vir montar a cena conforme suas preferências. 

Pegou a mão que Marlon havia repousado sobre a própria perna e, retraindo escandalosamente meu short, a colocou sobre a lateral externa da minha coxa, com os dedos chegando a tocar uma parte da minha bunda. Depois pegou a minha mão, que estava parada no abdômen do nosso visitante e a arrastou até sua calça, sobre seu pau. Apesar de não a ter retirado dali, não movia um tendão sequer.

Agora imagine só: se já estava excitada chupando e tendo minha língua chupada, imagine quando senti os espasmos do pau duro dele, empurrando meus dedos de quando em quando? 

Até meu filho chorar de repente e nos interromper. 

Ameacei me levantar, mas Fabiano não deixou.

– Fica de boa, Amor! Eu cuido do Max! Pode ficar aí!

Pegou nosso filho no colo e foi para o banheiro. Depois, bem depois… me contou que, apesar do nosso bebê não ter a consciência para discernir situações tão adultas como aquela, fez questão de evitar que ele pudesse ver a mãe tendo tais intimidades com outro homem.

O fato de momentaneamente não estarmos sendo vigiados, fez com que Marlon ficasse mais à vontade. Ainda me beijando com intensidade, acariciou um dos meus seios, antes de descer os dedos para apalpar minha cintura, minha coxa e minha bunda. Como resposta, comecei a apertar seu pau sobre a calça; apertos bem espaçados e, instintivamente, cada vez com mais força.

E aconteceu que, para não acordar nosso filho, que voltou a pegar no sono, Fabiano retornou nas pontas dos pés, abafando qualquer tipo de ruído. Deve ter ficado de dez a vinte segundos acompanhando aquela cena, parado ali na frente, com nosso bebê no colo. Marlon e eu só fomos perceber quando abrimos os olhos depois de um longo beijo. A sensação de termos sido pegos em flagrante, que havia meio que congelado os dois, se encerrou quando tomei a iniciativa e beijei seu queixo e sua boca gostosa.

Meu marido então colocou Max na cama, depois apanhou o copo de tequila que havia deixado no chão e, com olhos fascinados e um volume anormal em sua calça, sentou-se outra vez na poltrona, pronto para voltar a assistir a esposa namorando.

– Amor, senta no colo dele. – pediu um pouco depois.

Eu lancei meu olhar no fundo de seus olhos. 

– Tem certeza?

– Gente, me avise se eu estiver fazendo algo errado ou, sei lá, se chegar o momento em que querem que eu vá embora… – tornou a avisar nosso visitante.

– Tamo bem tranquilos, Marlon… Tá tudo muito tranquilo. Não se preocupe. – garantiu Fabiano, depois direcionou as palavras a mim, sorrindo e me encarando cheio de excitação. – Pode sentar, Amor. Tamo junto nisso, ninguém tá traindo ninguém. 

Então me sentei, sentindo aquele pau duro agora na minha bunda.

Engraçado como as coisas são: no restaurante, há pouco, por puro ofício, Marlon fazia o papel de garçom, enquanto, agora, quem cumpria a função era justamente meu esposo; que nos trouxe tequila, caprichando no sal da borda do copo. Servidos, bebemos e, sem perder tempo, voltamos a nos beijar ardentemente, com direito a novas apalpadas.

Num instante, enquanto Marlon beijava meu pescoço, virei a cabeça e movi o olhar, fitando meu esposo, ainda sentado na poltrona, alucinado, acariciando o próprio pinto sob a calça. Aqueles olhinhos úmidos de tesão, a boca entreaberta e a respiração ofegante, pareciam sinalizar que talvez pudesse haver mais alguma coisa a ser dita… 

Então, por via das dúvidas, esbocei um gesto que, mesmo comedido, acabou fazendo com que Marlon parasse apreensivo e com que Fabiano se levantasse com sua barraca armada, sussurrando algo que ninguém ouviu, para só depois repetir num tom acima…